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3 de maio de 2016

Os setes saberes necessários à educação do futuro

(Imagem editada por: Revista Fator Brasil)

Eu terminei a série de textos revoltosos sobre a educação com perguntas demais. Não pretendo respondê-las ainda, pois não sinto que construí essa competência o suficiente para fazê-lo. Fiz muitos progressos intelectuais relativos ao assunto entre o período de escrita e de conclusão do texto, mas esses progressos ainda estão em construção e para mim não faz sentido compartilhá-los sem que antes estejam completos. Sendo assim, decidi complementar essa série com um livro que me ajudou muito nessa nova caminhada à procura de respostas, que têm servido como guia na minha busca de novos aprendizados e que eu espero poder ajudar também aqueles que se interessaram ou se identificaram com os assuntos abordados na série.

Sobre os professores

(Imagem: documentário A Educação Está Proibida)
Durante o texto eu culpei os professores algumas vezes, no entanto, estou ciente de que nem tudo é culpa deles, afinal, assim como seus alunos, eles obedecem ordens de “superiores”, e mesmo que queiram, nem sempre podem dar aula como melhor lhes couber. É preciso, no entanto, que os professores desenvolvam empatia com seus alunos. Para isso acontecer, tudo precisa mudar. As turmas precisam ser menores, as cargas horárias dos docentes precisam ser menos pesadas e as escolas precisam ser livres.

Além disso, sei que muitos não concordam que essa seja sua função, mas os professores precisam apresentar o conteúdo de uma forma que desperte o interesse dos alunos no que estão tentando transmitir. Eu sei que é difícil e que a culpa não é só deles, mas, sendo bem sincera, é difícil se manter concentrada as 7 horas da manhã em uma aula na qual o professor simplesmente liga o projetor de slides, desliga as luzes e fica falando sobre coisas que, no fundo, ninguém liga muito. Mas só porque não nos ensinaram a ligar. Dizer que estamos aprendendo isso para “ser alguém na vida” não é motivação suficiente para se manter acordado durante uma aula maçante. Já presenciei aulas nas quais só havia 1 ou 2 estudantes acordados. De mais de 30. Queria muito que fosse exagero, mas não é. E isso só demonstra o que eu estou tentando explicar.

Vamos dar uma olhada na publicidade

(Imagem: blog Amor Pelas Cores)
Se as escolas estão cientes ou não da existência desses parâmetros, a resposta estará em um trabalho mais aprofundado que sairá em breve. No momento, tratarei de analisar o que as escolas dizem sobre elas mesmas e, a partir dos resultados, concluo que elas, se conhecem, ignoram os PCNs. Vou colocar só alguns exemplos aqui para vocês refletirem se é isso mesmo que querem para suas vidas e se realmente acreditam que é desse modo que se aprende:

1. O ________________ foi criado seguindo o modelo de educação das escolas militares, com foco na disciplina como forma de otimizar o aprendizado e aumentar o rendimento do aluno.

2. O Colégio sempre levou à frente o lema da seriedade e da disciplina como via mais curta para o sucesso. Nunca largou mão, no entanto, de atentar para as particularidades e necessidades de cada aluno, visto que a prática de ensino-aprendizagem requer diálogo e direcionamento.

3. Oferecer educação de qualidade, desenvolvendo o conhecimento científico e a formação integral do cidadão, visando educar em benefício da sociedade e do mundo.
A Educação oferecida pelo ______________ empenha-se em promover o crescimento do ser humano de forma globalizante, produzindo, sistematizando e socializando o saber científico, tecnológico e filosófico.

Os parâmetros que a escola ignora

(Imagem: documentário A Educação Está Proibida)
Agora você poderá seguir sua leitura de 2 maneiras (ou de outra que achar melhor, essas são só as que eu indico): você pode ler todos os pontos destacados dos PCNs primeiro e depois partir para a discussão sobre cada ponto ou você pode ler cada ponto e a discussão sobre ele separadamente.

Como surgiu a escola como a conhecemos

(Imagem: documentário A Educação Está Proibida)
Para entender a razão de a escola continuar desse jeito, precisamos saber quando e como ela começou a ser assim. O documentário dá uma ótima base para isso, que utilizarei agora, mais algumas pontuações pessoais, para essa discussão.

A ideia da escola como a conhecemos (pública, gratuita e obrigatória) surgiu no final do século XVIII, início do século XIX, na Prússia, com a finalidade de evitar revoluções, como as que ocorriam na França (era a época da Revolução Francesa, cujo lema, como aprendemos nas aulas de História, era Igualdade, Liberdade e Fraternidade). Forçando um pouquinho mais a memória, também é possível lembrar que nessa época tinha início o despotismo esclarecido.

Mas o que isso tem a ver com a escola? Bom, elas foram criadas com o objetivo de conter revoluções, não é? E tinha acabado de acontecer o Iluminismo, o conhecimento estava super na moda. Então, para conter a população, as escolas são criadas de modo que os monarcas simulassem estar dividindo seu conhecimento com o povo e, assim, continuassem no poder.

Esse primeiro modelo de escola era baseado na forte divisão de classes e castas, e sua estrutura fomentava disciplina, obediência e se embasava muito no estilo dos regimes autoritários. Pelo visto, mesmo depois de séculos, a maioria das escolas ainda tem essa ideia retrógrada de que é preciso agir de modo rígido e autoritário para formar alunos (muitas ainda se baseiam em modelos de escolas militares durante a produção de seu programa, como veremos adiante)... Que tipo de alunos querem formar? Porque na época em que ela surgiu, a monarquia queria formar um povo dócil e obediente, que pudesse ser facilmente preparado para guerras e para que, assim, se mantivesse no poder. Se a estratégia metodológica continua, praticamente, intacta, presume-se que os objetivos, a despeito do que alegam as instituições, continuem os mesmos. Afinal, não é possível que esperem que um aluno aprenda a fazer escolhas sozinho se durante toda sua vida escola apenas impõem escolhas para ele. Mas calma, chegaremos nisso depois, ainda falta um pouquinho de História para contextualizar a questão.

A Educação Está Proibida (série)

(A educação proibida
Imagine ser o protagonista da sua educação)
Tudo começou com o documentário “A Educação Está Proibida”, dirigido por Germán Doin (disponível no Netflix), em homenagem ao qual denominei essa nova série. Em uma tarde qualquer, eu estava sem nada para fazer, então resolvi assistir a algum documentário. Passando pela lista do Netflix, deparei com o título “La Educación Prohibida” e logo me interessei. Tendo assistido a menos de 5 minutos do documentário, pausei e corri para pegar um caderno e uma caneta, porque a torrente de ideias que a película despertou na minha mente não podia cessar e eu não podia perder nenhum pedacinho dela. Diversos foram os produtos dessas ideias suscitadas pelo filme, sendo esse "texto de protesto" apenas um deles.

1 de abril de 2016

A necessidade de ser produtivo

(Arte por: Toby Allen
Ansiedade: o monstro da ansiedade é pequeno o suficiente para sentar no ombro de suas vítimas e sussurra coisas em seu inconsciente, despertando medos e preocupações irracionais. O monstro da ansiedade é geralmente visto como fraco em comparação com outros, mas é um dos mais comuns e é muito difícil de se livrar dele.
Eles geralmente carregam pequenos objetos conectados às ansiedades de suas vítimas, como relógios que representam um comum, porém irracional, medo de coisas que podem nunca acontecer. Ninguém jamais viu o rosto do monstro da ansiedade, pois ele sempre usa uma caveira como máscara.)
Fala-se bastante, ultimamente, que a ansiedade é o mal do século. A ansiedade, o estresse, e todos os outros sintomas do novo estilo de vida que se estabeleceu nessa era da velocidade. Hoje, dizem, parece que os dias estão mais curtos, não são suficientes para fazer tudo e, quando finalmente ficamos livres, já é tarde demais, é preciso dormir, amanhã o dia é mais cheio ainda.

Uma das coisas que mais contribui com essa ansiedade é o uso exacerbado das redes sociais. Elas deixam as pessoas mais dispersas, perde-se, aos poucos, a capacidade de concentração; cresce, no interior, uma necessidade de responder, ser respondido, ver o que está acontecendo, postar alguma coisa, dizer que existe, provar sua existência, fazer qualquer coisa. Além disso, elas evidenciam o pensamento de culpa constante: “Eu deveria estar fazendo algo mais produtivo”.

Todos temos consciência de que as redes sociais são, em geral, improdutivas. Salvo as exceções, a maior parte do tempo que se passa conectado é, de acordo com essa nova significação de “produtividade”, inútil. As pessoas compartilham: “Eu devia estar estudando”, “Eu tenho tantas séries para ver”, “Tenho livros demais para ler, como faço para ler mais rápido?”, “Nossa, estou cheio de trabalhos para entregar!”. Compartilham o que deveriam estar fazendo mas não estão, porque em vez de estar, estão compartilhando. Um ciclo vicioso.

O que vemos nessas redes e como isso nos afeta está diretamente relacionado com nosso modelo de sociedade e com os valores vigentes. Assim como essa necessidade crescente de ser produtivo.

12 de março de 2016

As vítimas e os verdadeiros heróis

(Imagem: Hypeness.com.br)

Se grande parte da população já está se esquecendo do ocorrido, outra parte considerável se recusa a deixar o tempo apagar de suas mentes o que é considerado um dos maiores (se não o maior) desastres ambientais do país. Nessa série, meu foco maior foi em analisar a postura da Samarco e da grande mídia frente ao ocorrido, como as peças publicitárias da empresa pretendem construir sua nova imagem à base de exageros e frases vazias e o que, por fim, foi determinado como punição. Todavia, não posso deixar de pontuar as grandes ações que estão sendo feitas para evitar o esquecimento da tragédia e exigir uma retaliação enérgica da empresa.

11 de março de 2016

O preço das consequências

(Foto: Uol. "A devastação que ocorreu em segundos, mas levará anos para ser reparada)
No dia 2 de março, quarta-feira, foi assinado um acordo entre os poderes públicos dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo, bem como o poder federal, e a Samarco, cujo objetivo consiste em criar um fundo de 20 bilhões de reais para que, no prazo de 15 anos, a empresa recupere os danos que causou a Bacia do Rio Doce.

Antes de mostrar duas listasdisponibilizadas pelo site do G1 sobre os principais pontos do acordo e o quecontinua pendente, preciso pontuar que a probabilidade de que o fundo conte, realmente, com 20 bilhões de reais e que o processo se realize nesses 15 anos é ínfima. É bem conhecida a capacidade de grandes empresas de se desviarem de impostos, que dirá da responsabilidade por algo que “logo, logo a sociedade vai esquecer”. Se hoje, cerca de 4 meses após a catástrofe, o assunto já é pauta fria e não abrange mais o espaço de discussão pública, imagine daqui a 15 anos. E é com isso que a Samarco já vem contando desde o lançamento de suas peças publicitárias: com a péssima memória da população.

No entanto, também existem as pessoas que se lembram, que continuam lutando pelas verdadeiras vítimas. Mesmo que sejam uma minoria, elas são importantes para dar visibilidade ao fato; independente de suas ações serem noticiadas ou não, elas estão afetando a situação de alguma maneira. Mas vamos falar sobre elas no final, agora vou mostrar o que foi veiculado sobre o acordo pelo G1:

10 de março de 2016

"Nós também somos vítima"

(Foto: Revista Exame. A cidade devastada por resíduos tóxicos)
No último texto eu fiz a primeira análise sobre o posicionamento público da Samarco frente à tragédia que causou. Lá também chamei atenção para a negligência da empresa, uma vez que sabia do risco de rompimento da barragem, e para o fato de ter tido um licenciamento, até certo ponto, irregular, em razão de sua irresponsabilidade.

Antes de começar com o texto, quero falar sobre um fato já conhecido, mas ao qual acredito não ter dado atenção suficiente. A barragem que se rompeu, a barragem do Fundão, estava contendo resíduos tóxicos liberados pela Samarco, uma empresa de mineração. A lama, que destruiu cidades, vidas, e alcançou o mar, não é "só lama", e chamá-la assim, de certo modo, desvia a seriedade do que nela está contido.

São resíduos tóxicos. Eles matam

Não foi só um rompimento que inundou e matou; ele tem a capacidade de continuar matando, mesmo depois que já acabou a onda, porque ele contém resíduos tóxicos. Vou repetir isso bastante mesmo, porque, em geral, associamos barragens à água e sua contenção. Também teria ocorrido uma tragédia se fosse uma barragem de água, mas ela não se prolongaria como essa vai, porque a água, afinal, é fonte de vida.

E eu resolvi falar sobre isso agora porque nem na última peça analisada, nem nessa, há alguma menção ao conteúdo perigosíssimo que estava contido no Fundão. Essa omissão, decerto proposital, pode, de algum modo, fazer com que as pessoas não enxerguem o assunto com a seriedade necessária.

A mídia fala de "lama". Ela poderia falar de "resíduos tóxicos" - vou repetir mais uma vez mesmo, quero que isso fique bem claro na mente de todos. A toxidade dessa lama só está contida no interior das matérias, que podem nem ser lidas por completo. A toxidade dessa lama está matando. Mas associamos lama a barro, algo inofensivo. 

Essa lama não é inofensiva, é mortal

E o fato de a empresa não se posicionar sobre isso revela muito sobre suas segundas intenções.

Agora que essa questão que tanto me incomodava foi esclarecida, podemos seguir com as análises. Hoje vou falar sobre outra peça publicitária da Samarco, talvez mais conhecida que a primeira, com um apelo, certamente, muito maior.

9 de março de 2016

As vidas destruídas que a população esqueceu

Hoje vou começar uma série de textos sobre uma das maiores tragédias que já aconteceu nesse país, noticiada como "a tragédia de Mariana", focando no posicionamento da Samarco (empresa responsável pela barragem que se rompeu) frente ao ocorrido. Nos dois primeiros textos (esse e o próximo), vou analisar 2 peças publicitárias da Samarco e o que elas realmente dizem sobre a empresa e sua responsabilidade para com a tragédia. No terceiro texto farei um breve comentário da situação atual da empresa e das expectativas para o futuro de quem foi afetado pela tragédia e, por fim, um texto sobre as vítimas e os verdadeiros heróis, que estão tentando fazer alguma coisa sobre o ocorrido.
(Foto: Revista Exame. "A lama chega ao mar no Espírito Santo")

Eu moro em uma cidade litorânea, bem perto da praia. Passo pela orla todos os dias quando vou para a universidade e adoro ficar encarando aquela imensidão azul esverdeada e pensando... Dia desses, estava perdida em minhas reflexões: “Imagina que horrível se essa beleza incomensurável fosse perdida, de alguma maneira”. E lembrei do Espírito Santo. Lembrei de como as pessoas que, assim como eu, adoravam apreciar o mar, se perder em pensamentos, mergulhar naquela imensidão, não podem mais fazê-lo, porque a lama alcançou o mar.

Então todos os dias, quando passo pelo mar, sinto um pouco de tristeza, sinto uma conexão empática forte com as pessoas que perderam seu mar. Mais ainda, fico desolada ao pensar nas vidas marítimas que se perderam nesse acontecimento; nas vidas humanas. Por fim, sinto-me extremamente revoltada.

Estamos acostumados com o turbilhão de informações que nos assola todos os dias, assim como com as críticas a isso. Mas quantas vezes se para e se reflete sobre o que isso significa? Essa velocidade informacional, que deixou nossos dias mais curtos, nossas vidas mais rápidas; que destruiu as distâncias, que uniu o mundo; o que ela significa?

Significa que nos esquecemos mais rápido.

A tragédia de Mariana – que deveria ser chamada de tragédia do Rio Doce, afinal, o rio morreu – causada pela mineradora Samarco, ocorreu em novembro de 2015. Estamos em março de 2016. Passaram-se 4 meses. A partir do começo de janeiro, notícias relacionadas à tragédia começaram a ficar cada vez mais escassas, o assunto deixou de ser novidade, não é mais tão “interessante”. E é claro que a Samarco percebeu tudo isso e se utilizou da péssima memória e inocência da população para construir sua nova imagem.

Agora, querem fazer parecer que se trata de uma empresa muito humanitária, que está fazendo uma bondade enorme para as pessoas que afetou com seu descuido. E suas peças publicitárias são tão tocantes, sentimentalmente, são tão bem elaboradas, que algumas pessoas caem na armadilha e pensam: “Ah, pelo menos ela está fazendo alguma coisa, ela é tão boazinha!”. 

23 de janeiro de 2016

Não precisamos de feminismo?

Da trilogia: Por que as feministas são tão chatas?

(Imagem: Capricho)


Na última parte tratamos da cultura do estupro e das mulheres dramáticas que se fazem de vítimas e têm seus crimes levados ao ridículo porque a sociedade se nega a admitir que são coisas sérias.

É claro que, para quem nunca vai sofrer com isso, é a coisa mais fácil do mundo abrir a boca e dizer que não existe, porque somos seres tão egoístas que muitos de nós só conseguem se importar se sentirem na pele. Então sim, a culpa é um pouco dos homens, das mulheres, e também as mães dessas pessoas têm sua parcela de responsabilidade. Ninguém é 100% inocente ou 100% culpado.

22 de janeiro de 2016

Culpa de quem?

Da trilogia: Por que as feministas são tão chatas?



O último texto – que pode ser lido aqui – terminou trantando de cultura.

E falando em cultura, as feministas também vieram com essa de “cultura do estupro”. Desculpa esfarrapada, na opinião de muitos, pois é difícil para muitas cabeças masculinas compreenderem que todos os nossos valores estão associados à cultura e que esse termo só foi criado para enfatizar a ligação que existe entre os valores de nossa cultura e o acontecimento de estupros.

Vejam bem, o Brasil, como sabem as pessoas que estudaram História na escola, foi colonizado pela escória de Portugal. Todos que não queriam lá foram enviados para cá, prisioneiros, prostitutas, etc. Pessoas sem educação, sem estudo, sem valores. Eles povoaram nosso país e espalharam por ele suas ideologias retrógradas. É fácil perceber que em um mundo de bandidos e prostitutas (generalizando ao extremo), o estupro não será visto da mesma forma que em uma sociedade bem educada de pessoas que respeitam os direitos umas das outras.

Além disso, não é que ao pé da letra nossa cultura diga “Estuprem, não tem problema!”, mas as pequenas indiretas que ela joga em plena televisão aberta para qualquer criança ver dão isso a entender. Os comerciais de cerveja são um ótimo exemplo. É difícil ver um que seja dirigido ao público feminino, porque mulheres são “delicadas demais para beber, não pode”. Contudo, pode aparecer semi-nua no comercial para promover uma ideia que diz “Beba, e você vai ter uma mulher tão bonita quanto essa da propaganda”. Então o homem bebe, perde parte da consciência, pode estar fissurado com a ideia, que foi sutilmente absorvida por seu subconsciente sem que ele percebesse, vê uma mulher bonita e logo faz a associação. Mas na propaganda ela quis, algo está errado, ela quer sim, só está se fazendo de difícil. Estupro. “A culpa foi dela, que estava em um bar (lugar de homem) àquela hora da noite, em vez de estar em casa assistindo novela”.

21 de janeiro de 2016

Por que as feministas são tão chatas?


O texto original ficou muito grande, então vou dividir esse assunto em três partes, pois quero evitar quaisquer problemas. Ainda pretendo falar mais sobre isso no futuro, quando tiver mais ideias e conhecimentos a agregar nesse âmbito, afinal, esse é um assunto delicado, com muitos pormenores, que não dá para discutir de uma só vez.

Introdução

Uma das razões para esse assunto estar cercado de tabus e preconceitos é porque ainda existe muita gente que acredita que o feminismo não serve para nada, que são mulheres querendo ser superiores e, acima de tudo, mulheres chatas. Assim como ocorre com todos os movimentos de minorias, o feminismo também é vítima de inúmeras calúnias e casos de extremismos dentro do próprio grupo - e apesar de não ser tão extrema em minhas ações, tenho certeza de que se não fosse por elas não haveria tanta atenção voltada ao movimento, portanto, são necessárias.

Antes de mais nada, temos que começar clamando para que se perceba a inutilidade desses desentendimentos dentro do próprio grupo. Vejo muitas feministas que se acham superiores porque fazem parte do movimento há mais tempo, porque são mais velhas, etc. Para tudo funcionar melhor, acredito que a proposta deveria ser mais didática e em vez de menosprezar as "novatas" na luta por seus direitos, as que conhecem melhor o movimento poderiam ensinar mais sobre como elas podem colaborar, compartilhando materiais e informações.

A organização e solidariedade dentro do grupo são essenciais para alcançar ainda mais objetivos, pois quanto mais mulheres estiverem informadas e se sentirem parte dessa luta, se sentirem irmãs umas das outras, mais força teremos para lutar. Se você acha que uma menina não pode ser feminista porque é muito nova, seus conceitos precisam ser revistos urgentemente, afinal, as crianças sofrem tanto com o machismo quanto as adultas. Sofrem porque precisam ser delicadas, brincar de Barbie, usar rosa, são “frágeis”, precisam de “mais cuidados”. O machismo é ensinado desde cedo e é nessa idade que deve ser combatido, para que mais mulheres cresçam conscientes de sua força e capacidade.

E mais uma coisa, as próprias mulheres precisam parar de associar a palavra “feminismo” a algo ruim. As feministas não são “invejosas”, ou mulheres desocupadas e infelizes, como tentam pregar por aí. São apenas mulheres que não querem aceitar a situação de desigualdade à qual são submetidas. E não é preciso ir muito longe para se identificar com isso, é só pensar em todos os abusos verbais que você já pode ter sofrido só por ter decido usar decote certo dia, ou uma saia muito curta, ou por ter ficado com muitos meninos em uma festa.

14 de setembro de 2015

Intolerância: o verdadeiro ópio do povo

(Tolerância não significa que nós concordamos, ou ignoramos um ao outro. Significa: nós abrimos espaço para a opiniões diferentes, erradas, interessantes, estranhas)


Às vezes certas coisas parecem tão claras para mim que não entendo como as outras pessoas não conseguem percebê-las também. Como a intolerância. Se eu pudesse escolher uma só coisa no mundo para mudar, acho que eu acabaria com a intolerância, pois creio que esse seria o caminho para extinguir a maioria das outras mazelas do nosso planeta.

Antes de mais nada, gostaria que todos fossem capazes de ter em mente que existem mais de 7 bilhões de pessoas no mundo. Sete bilhões de pessoas diferentes, criadas em culturas diferentes, com valores diferentes. Não existe ninguém igual. O mundo é grande e diverso demais para admitir a igualdade completa. Não existe certo ou errado. E admitir isso não significa negar  seus próprios valores, apenas significa ser consciente da realidade.

O problema – ao menos o principal, ao meu ver – com a intolerância, é que ela impede as pessoas de serem empáticas umas com as outras, impede as pessoas de olharem ao redor, questionarem e, acima de tudo, admitirem seus erros. Portanto, essas pessoas se atém – muitas vezes – de pesquisar sobre o assunto, talvez por medo inconsciente de se descobrirem erradas; entretanto, quando o fazem, é com os olhos da intolerância que enxergam os dados, tendo-os como falsos uma vez que contrariem suas expectativas.

Acredito que grande parte da intolerância do mundo vem do fanatismo, pois ele cega a razão. E isso se aplica a todo o tipo de coisa, como o racismo, que vem do fanatismo pela própria cor; como o fanatismo por um time de futebol, que gera brigas e morte entre torcedores. Mas não podemos esquecer do fanatismo por seus próprios valores. Muitas pessoas, tão crentes e seguras de si mesma que são – o que não é nem um pouco errado – esquecem, às vezes, que é possível que existam opiniões diferentes, e isso não significa que um dos lados estará certo ou errado.
11 de julho de 2015

Aprendemos a ler errado!

Ao final da postagem indico 3 livros para quem também gostaria de começar a explorar os clássicos mas não quer pegar algo "difícil demais" a princípio.

Após um ano inteiro sem poder ler direito, porque tinha que estudar o tempo todo para passar no ENEM, esse ano decidi ler o máximo que pudesse. Mas não qualquer livro. Sem querer ofender os livros “comuns”, esse ano decidi que queria focar em clássicos. Geralmente as pessoas os admiram, falam muito deles, contudo não os leem. Já dizia Mark Twain que um clássico é um livro que todos admiram, porém ninguém lê. Eu sempre pensei que se os clássicos se tornaram tão importantes é porque deveriam ser livros incríveis, entretanto, ainda não tinha tido coragem de ler. Então, decidi que custe o que custasse, esse ano eu tentaria ler quantos clássicos conseguisse.
8 de março de 2015

Não é errado mudar de opinião



Poucas semanas atrás, se você me perguntasse se eu acreditava em pena de morte eu responderia, sem nem piscar, que sim, para um grupo restrito de seres humanos que eu considerava repugnantes e indignos de uma segunda chance, de sequer justificarem suas ações. Dentre eles, no topo da lista estariam os pedófilos.
 
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