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| (Tolerância não significa que nós concordamos, ou ignoramos um ao outro. Significa: nós abrimos espaço para a opiniões diferentes, erradas, interessantes, estranhas) |
Às
vezes certas coisas parecem tão claras para mim que não entendo como as
outras pessoas não conseguem percebê-las também. Como a intolerância. Se eu
pudesse escolher uma só coisa no mundo para mudar, acho que eu acabaria com a
intolerância, pois creio que esse seria o caminho para extinguir a maioria das
outras mazelas do nosso planeta.
Antes
de mais nada, gostaria que todos fossem capazes de ter em mente que existem
mais de 7 bilhões de pessoas no mundo. Sete bilhões de pessoas diferentes,
criadas em culturas diferentes, com valores diferentes. Não existe ninguém
igual. O mundo é grande e diverso demais para admitir a igualdade completa. Não
existe certo ou errado. E admitir isso não significa negar seus próprios valores, apenas significa ser
consciente da realidade.
O
problema – ao menos o principal, ao meu ver – com a intolerância, é que ela
impede as pessoas de serem empáticas umas com as outras, impede as pessoas de
olharem ao redor, questionarem e, acima de tudo, admitirem seus erros. Portanto, essas pessoas se atém – muitas vezes – de
pesquisar sobre o assunto, talvez por medo inconsciente de se descobrirem
erradas; entretanto, quando o fazem, é com os olhos da intolerância que
enxergam os dados, tendo-os como falsos uma vez que contrariem suas
expectativas.
Acredito
que grande parte da intolerância do mundo vem do fanatismo, pois ele cega a
razão. E isso se aplica a todo o tipo de coisa, como o racismo, que vem do
fanatismo pela própria cor; como o fanatismo por um time de futebol, que gera
brigas e morte entre torcedores. Mas não podemos esquecer do fanatismo por seus próprios valores.
Muitas pessoas, tão crentes e seguras de si mesma que são – o que não é nem um
pouco errado – esquecem, às vezes, que é possível que existam opiniões
diferentes, e isso não significa que um dos lados estará certo ou errado.
Discutir,
conhecer, aprender, tudo isso é muito saudável, implica ampliar sua visão de
mundo, mudar. É possível ser tolerante sem deixar de acreditar em seus próprios
valores, só é preciso ter em mente que cada um tem seus motivos para acreditar
em algo. Vou dar um exemplo bem banal, de algo que em nossa sociedade poderia
causar repúdio, mas que em outras culturas pode ser aceito: bater nos filhos para
educar. Há um tempo, o Brasil começou a difundir a ideia de que este comportamento é
primitivo e incorreto. Que seja. Todavia, existem pessoas por aí, de culturas
diferentes, que não importa o que seja dito não deixarão de acreditar que esse
é o modo mais efetivo de educar. Então elas devem ser odiadas? (Não partirei
para o âmbito da educação, psicologia, etc, porque não cabe aqui e, além disso,
junto a eles a tolerância e compreensão seriam necessárias para conseguir mudar
o comportamento de uma sociedade).
Sem
a cegueira causada pela intolerância e pelo fanatismo, talvez as pessoas
conseguissem perceber que todos são iguais independente da cor, do país, da
cultura. Somos todos seres humanos, pensamos, sentimos, vivemos. Estamos todos
aqui tentando levar um dia após o outro. Para que perder tempo pregando que
existem uns superiores a outros quando isso não é verdade?
É
assim, inclusive, que pensam muitos ateus. Há pessoas que acreditam que a falta
de religião as torna superiores, que o ceticismo torna você melhor. É uma
opinião extrema, e é desse extremismo que nasce a intolerância desses ateus
para com os religiosos. Então, muitas disputas de ideias se iniciam na
internet, muito ódio é disseminado, e tudo por causa da intolerância. E o processo também ocorre no sentido contrário, quando pessoas tentam impor sua religião. Bom, nesse caso vale ressaltar que religião é algo muito pessoal e não adianta tentar impor uma crença a ninguém, pois isso, na maioria das vezes, só faz o próximo sentir repúdio por essa ideia.
Não
é errado ser religioso ou não ser. É até interessante conviver com essas
diferenças. E não é preciso ter medo de ser diferente, essa é a melhor parte. O
medo, infelizmente, é um dos fatores que geram esse sentimento tão negativo,
creio.
O
racista odeia pessoas de outra cor e, no seu interior, têm medo de ser como
elas. Os fanáticos têm medo de que algum dia o seu objeto de adoração se
encontre em situação de desfavor. Os religiosos têm medo da descrença. Os ateus
têm medo de se tornarem religiosos. Os homofóbicos temem se tornarem gays. A
maioria das pessoas, ao discutir sobre ideias ou valores importantes para si,
têm medo de perder a discussão, pois isso, talvez, signifique que o que
consideram inaceitável possa, na verdade, não ser.
Então
o medo é convertido em intolerância, e esta em raiva, ódio. As pessoas passam a
se juntar em grupos, a brigar, a realizar atentados, a matar. Tudo em prol de
sua crença, que alimentam com adoração doentia. E se esquece da fluidez da
vida, de que nada é absoluto, de que não existem certezas, porque está tudo na
mente, e o que é para mim, não é o mesmo para você.
O
sentimento de pertencer a um grupo, decerto, é grande responsável por tanta
negatividade. O filme A Onda mostra de maneira maravilhosa o que as pessoas se
dispõem a fazer em nome de uma causa que acreditam, o que se dispõem a fazer só
para pertencer a algo. É natural do ser humano essa necessidade de viver em
grupo. Desentendimentos também são. Todavia, não pregam tanto que já estamos
muito mais avançados e racionais hoje e quase nada compartilhamos com nossos
ancestrais? Por que, nesse caso, estimular essa intolerância entre os grupos e
não a harmonia?
Em
um passado remoto era aceitável que tribos se desentendessem. Em um mundo tão
conectado, globalizado, como dizem, no qual não há mais distâncias, esses
comportamentos não fazem mais sentido. Somos racionais o suficiente para saber
que não se deve matar, porque a lei assim o diz e a sociedade com isso
concorda. Somos racionais também para perceber que não existem pessoas iguais.
Deveríamos ser, portanto, racionais o suficiente para saber que isso não é um
problema.
Em
resumo, a intolerância nasce do extremismo nas crenças e causa inúmeras
desgraças no mundo. As pessoas precisam parar de ser infantis e achar que todos
precisam ter a opinião igual à sua, pois nunca será assim, e enquanto existir
gente tentando forçar que assim o seja, existirá ódio no mundo, porque
intolerância gera ódio, não amor.
A
solução é tão simples. Se uma pessoa age de modo que você acredita não estar
correto, se ela possui uma opinião diferente da sua, veja se ela está aberta a
novas ideias, e se estiver, tente dialogar, compreender os seus pensamentos. Se
não funcionar, você pode continuar com a consciência limpa, pois fez sua parte,
tentou. Mas não tenha ódio dessa pessoa só porque ela faz algo que você acha
errado, simplesmente não repita a ação. Se para você é errado ser religioso,
não seja. Se é errado ser homossexual, não seja. E quanto às pessoas que são,
é a vida delas, que não lhe afeta, deixe-as. Sejamos tolerantes.
PS.: Estou aberta a diálogos sobre o assunto c:
PSS.: Só para deixar bem claro, o que eu quero dizer é que o mundo é muito grande e seria proveitoso não ver tudo só sob sua própria ótica, mas também procurar ver através dos olhos dos outros. Eu também tenho uma visão e valores, todavia, até em razão da profissão que escolhi, busco sempre entender que o que eu sei não é definitivo, e posso mudar de ideia a qualquer momento.












Isabela Maia, estudante de Jornalismo, 20 anos, apaixonada por filosofia, pedagogia, psicologia, literatura... Leitora compulsiva, viciada em videogames. Gosta muito de escrever e tenta fazê-lo todo dia; um dia pretende ajudar muitas pessoas com sua escrita.
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