5 de março de 2015
O parágrafo
Um parágrafo é uma ideia (só uma) e o seu desenvolvimento, explicações e justificativas (podem ser várias). Na estrutura padrão ele é formado por uma introdução (ideia central expressa em poucas palavras), um desenvolvimento e uma conclusão. A função do parágrafo é a de contribuir com a coerência de um texto, torná-lo mais fácil de ser compreendido. Tenho estudado muito sobre parágrafos, lido muitos parágrafos, feito muitos parágrafos e percebi que eu não sou tão boa em construi-los quanto eu pensava. Logo eles, presentes em tudo o que eu escrevo (e não é pouco, mesmo sendo só uma pobre pseudo-escritora), ou seja, em pelo menos 80% do meu dia, 90% se excluirmos a parte do sono. Essa descoberta me levou a escrever esse texto.
O fato: em uma atividade onde foi proposto escrever um parágrafo, eu não me saí como gostaria. Não foi mal, mas não foi bom. Ou seja, não foi suficiente.
Não devo ser só eu que entrei na universidade achando que já deveria saber de tudo, que, por ter escolhido ser jornalista já nasci com a obrigação de saber fazer parágrafos perfeitos sobre qualquer tema pedido. Eu poderia usar a desculpa de não ter entendido o tema proposto, de não gostar de escrever quando pressionada, e todas seriam verdadeiras, mas não seriam suficientes. É um desafio, com certeza, porém eu preciso superar, e não posso, nem quero, me valer de desculpas "esfarrapadas" para isso.
O importante é saber admitir que, no fundo, é exatamente como Sócrates disse, não sabemos de nada. Há tanto conhecimento no mundo, e tanto conhecimento mesmo dentro de coisas tão pequenas, não dá para saber tudo, mas dá para tentar aprender um pouco. É claro que Sócrates tinha lá seus problemas com humildade e tudo mais (ele nunca reclamou, inclusive concordou, quando disseram que ele era o homem mais sábio de Atenas), no entanto ele estava certo nessa afirmação, ao meu ver. E eu errei quando assumi que já sabia o suficiente sobre parágrafos e sobre escrever para fazer algo perfeito em apenas dez minutos. Claro, muitas pessoas fizeram, mas já aprendi há muito tempo que o desempenho dos outros não tem nada a ver com o meu e que isso também não significa que elas sabem mais do que eu. Até porque não sabemos de nada.
Em uma aula chamada Metodologia da Ciência, o professor nos "força" a assumir uma postura ativa em sala de aula, participando o máximo possível. Eu sempre leio os textos que ele passa, faço resumos e anotações pessoais sobre meu entendimento do assunto, mas quando se tornou uma obrigação saber, participar, demonstrar, eu comecei a ter dificuldades. Nas primeiras aulas eu participava normalmente, interferia quando achava relevante, no entanto, agora me sinto pressionada a falar o tempo todo sobre qualquer coisa, só para participar. Não acho que essa tenha sido a intenção do professor ao propor essa participação e colocá-la como obrigatória. Na minha opinião, ele queria estimular nosso pensamento crítico, nossa formulação rápida de proposições. E mesmo munida de tanto "conhecimento", algumas vezes não encontro nada relevante para falar.
Mais uma vez eu percebi que não sei de tudo, mais uma vez poderia utilizar desculpas como: não consigo formular coisas inteligentes para falar quando estou sob pressão, não tenho nada que não pareça óbvio para acrescentar (não que isso impeça muita gente de falar) e todas seriam verdades, novamente, mas ainda não suficientes.
Ser jornalista é conseguir escrever sob pressão, é conseguir falar sob pressão. Imagine ter que, inesperadamente, escrever um artigo, uma notícia, ou mesmo uma reportagem, com um prazo curto demais e ter que encontrar coisas inteligentes para perguntar aos entrevistados e as fontes e coisas inteligíveis para escrever. Sem um treinamento adequado (no caso, a universidade), muita gente com os mesmos problemas que eu cederia à pressão. Então não, não gosto nada disso, mas preciso aprender a conviver e enfrentar.
Ano passado tive o mesmo problema com redação. Eu achava que por querer ser jornalista tinha a obrigação de já nascer sabendo escrever uma redação nota 1000. No início, eu achava inaceitável receber um 800. Como assim? Como eu posso ser uma jornalista tirando uma nota dessas? Jornalistas de verdade, que escrevem bem, tiram 1000 todas as vezes. E essa estereotipação me trouxe muitos problemas. É bom se cobrar, isso nos leva para frente, mas também é importante ser realista. Não poderia tirar 1000 logo de cara se nunca tinha escrito uma redação do tipo, não conhecia bem a estrutura, não tinha treinado. Com muito treinamento, esforço e dedicação deu tudo certo, consegui tantas notas 1000 quanto poderia querer, mas, o mais importante, aprendi.
Quando comecei a fazer simulados, não gostava de escrever a redação em tão pouco tempo, sob tanta pressão, mas treinei e aprendi. Uma pena não ter servido para todas as situações em que eu me sinto pressionada e preciso fazer algo contra a minha vontade, mesmo sendo para o meu bem (como a participação na aula e os parágrafos). Mas pelo menos eu já sei, é só treinar.
E por isso eu escrevo, tentando desenvolver uma ideia por parágrafo, com seu desenvolvimento, suas explicações e justificativas. Não sei, contudo, se é um treinamento válido, visto que as atividades sugeridas pelo professor de língua portuguesa, ao contrário das de metodologia, são muito complexas. É impossível prever o tema que será proposto, ou o tipo de atividade, ou os critérios de avaliação, então eu só escrevo. E vou levando esse exercício, diversão, amor, para a frente, à procura de mim mesma, à procura de parágrafos, sempre à procura.
Ainda não faço ideia de como vou aprender a fazer um parágrafo perfeito em poucos minutos, não sei como farei para organizar minhas ideias e escrever e estruturar tudo de maneira coerente, mas o jeito é descobrir. O bom dessa aula é que ela propõe desafios de verdade, coisas que nos fazem refletir muito, que nos deixam, muitas vezes, perdidos, sem resposta, e geralmente não é isso o esperado em uma aula de língua portuguesa, o esperado é o professor escrever sobre orações subordinadas substantivas objetivas diretas e os alunos "aprenderem" isso utilizando técnicas mnemônicas. O desafio quebra a expectativa, a comodidade, a postura passiva do aluno, ele nos faz quebrar a cabeça e procurar saídas.
Quando escrevi meu primeiro parágrafo eu assumi uma postura errada, eu só queria terminar logo a atividade (já que eu não tinha entendido direito o que era para fazer e o professor não gosta de dar respostas diretas, "não valia a pena" continuar lá, eu não conseguiria fazer melhor) e sair para o intervalo. Só o professor vai ler, eu pensei. E foi aí que eu cometi meu primeiro erro. Não porque os parágrafos foram distribuídos pela sala para serem julgados pelos colegas, mas porque essa não é a postura que eu, como jornalista, quero assumir. Como jornalista, tenho de escrever para ser lida por várias pessoas, tenho de escrever como se fosse para o próprio New York Times, mesmo que seja só um cartão de aniversário para a minha vizinha. E preciso fazer isso desde já para não cair na comodidade.
Com muitas tentativas vou acabar aprendendo. Já não vou mais repetir o erro de fazer algo mal feito para acabar logo, vou trabalhar de verdade, vou correr atrás. Afinal, não é assim que acontece com os bons de verdade? Os ídolos, os incríveis? Sempre temos algumas dificuldades para superar, se não, não teria graça. Meu amado Jojo (Joaquim Maria Machado de Assis), por exemplo, sofreu muito em sua vida, mas arrasou a cara de todos quando as coisas se ajeitaram e sua vida de escritor começou a dar certo. Tenho ele como exemplo, de escritor e de dedicação, e vou arrasar a cara de todos também (com amor e consideração, claro).
Morar no interior tem algumas desvantagens, como a falta constante de internet. Este já é o terceiro texto que eu escrevo nesse intervalo de tempo entre sábado e hoje, mas só vou poder postar esse porque só agora tive internet. Os outros vão ficar para outro momento. Até lá, bons parágrafos em suas vidas.
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Isabela Maia, estudante de Jornalismo, 20 anos, apaixonada por filosofia, pedagogia, psicologia, literatura... Leitora compulsiva, viciada em videogames. Gosta muito de escrever e tenta fazê-lo todo dia; um dia pretende ajudar muitas pessoas com sua escrita.
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