Sentou-se em uma cadeira bem no meio da sala, na frente do "quadro", que é só uma projeção de tela, e apertava as mãos ansiosamente enquanto falava um pouco sobre si mesmo. Prodígio pode ser a palavra mais adequada para se utilizar ao falar sobre esse homem tão esforçado, que aprendeu o que era ser jornalista na marra, mas acabou sendo enfeitiçado por seus encantos e hoje não sabe como viveria sem fazer o que faz.
"Eu gosto de gente, gosto de ouvir história de gente". E é isso o que o move a continuar trabalhando com pautas nem sempre interessantes: às vezes as melhores caem no seu colo. Como foi a mais recente, como quase foi a de Valdetário. O processo inteiro do livro levou 2 anos, e de início o desejado era falar só sobre a família Carneiro, todavia logo cedo ele percebeu que não é possível falar sobre ela sem falar sobre seu principal personagem, presente nos relatos de todos.
A tatuagem em forma de bracelete em seu braço esquerdo contrasta com uma cicatriz no direito, marcas de uma vida ainda no começo, que já conta com muitas experiências, desencantos, cervejas. Sua mãe conta que quando ele era criança dizia que seria jornalista. Ele não se lembra, só sabe que queria medicina, depois direito, depois, por razões do destino, escolheu jornalismo.
Sua vida na redação começou bem cedo, em 2010, quando começou a estagiar em um portal que hoje já não existe, e ele enfatiza que "não deveria existir mais não mesmo". A bagunça, a falta de rotina, a correria, as histórias, as pessoas, tudo isso o seduziu, e entre beijos e cervejas, acabou percebendo que era mesmo o que queria para o resto da sua vida. Se pudesse ser ainda mais ousado, pediria bastante tempo para escrever as matérias, e também só escreveria aquelas fantásticas, que dão água na boca só de olhar para os personagens e imaginar como será delicioso escreve-las, daquelas que por si sós já são perfeitas, só precisam de alguém para colocá-las no papel.
A camisa xadrez de azul com branco contrasta com a cadeira na qual está sentado, e a luz baixa, vinda somente do brilho do projeto ligado, refletindo uma tela de computador na parede às suas costas, faz com que o foco esteja só nele. Sua maneira de falar, com humor, simplicidade e eventuais palavrões conduzem a atenção, fascinam os interlocutores. O All Star surrado, sujo, revela seu espírito de jornalista, que prefere estar na rua do que preso na claustrofóbica redação, escrevendo coisas chatas.
O que mais gosta de escrever? Sobre segurança pública. De acordo com ele, porque é o melhor modo de encontrar gente, e não só gente, mas do melhor tipo, do mais puro, dissipado de todas as barreiras que as proíbem de ser apenas elas mesmas. "Humanos no sentido mais cru". E também há os criminosos, com sua mente fascinante, suas histórias de vida, seus porques, pelos quais ele é tão faminto.
Cruza as pernas em seu jeans escuro e apertado, os dedos tamborilam ora uns nos outros, ora na mesa. Fala sobre o que pensa do futuro do jornalismo. O desdobramento disso poderemos observar daqui a algum tempo, basta resumir em uma de suas frases, por enquanto: "O futuro somos nós".
Foi um momento maravilhoso, uma oportunidade de ouro, o único arrependimento é o grupo não ter tirado uma fotografia com ele para marcar o momento. Esse projeto tem me proporcionado conhecer e fazer coisas tão maravilhosas que nem consigo descrever. Mal posso esperar para nosso blog entrar no ar e eu poder compartilhar com todos as reportagens que estou fazendo!
Além disso, graças às pessoas maravilhosas, principalmente minha orientadora linda, posso trabalhar em projetos pessoais, o que me proporciona incrível sensação de realização. Sei que por causa disso tudo que estou vivendo serei capaz de ser uma jornalista ótima. Espero que todos os que encontrem uma oportunidade tão boa quanto essa que eu encontrei a agarrem com todas as forças.











Isabela Maia, estudante de Jornalismo, 20 anos, apaixonada por filosofia, pedagogia, psicologia, literatura... Leitora compulsiva, viciada em videogames. Gosta muito de escrever e tenta fazê-lo todo dia; um dia pretende ajudar muitas pessoas com sua escrita.
0 comentários:
Postar um comentário