3 de fevereiro de 2015

Dia 1: Matrícula



Até essa manhã eu nunca tinha feito nada completamente sozinha na vida. Nunca fui ao médico sozinha, nunca fui passear no shopping sozinha, nunca fiz nada sozinha sem ter tido pelo menos algum tipo de instrução antes, como "pegue aquele ônibus ali e puxe a corda em tal lugar", "sua sala é aquela ali (aponta o local exato)", ou algum tipo de conhecimento provindo de uma experiência anterior, como comprar coisas sozinha, ir ao banheiro sozinha, pegar um ônibus sozinha. Na verdade, ficar só nunca foi minha coisa preferida no mundo, sempre prefiro estar acompanhada na maioria das coisas que preciso fazer, mas hoje foi diferente, foi necessário.




Então lá estava eu, parada na porta de um prédio desconhecido, em um local que eu não conhecia (o campus da universidade, no caso). Felizmente, algumas pessoas bem legais instruíram-me o caminho e eu cheguei até a primeira sala. Peguei uma ficha, sentei e, para minha sorte, tinha um homem dando instruções sobre o preenchimento dessa ficha. Preenchi, entreguei e esperei meu nome ser chamado. Enquanto esperava, comecei a ler O julgamento de Sócrates, de I. F. Stone; sou apaixonada por filosofia, bem como pela Grécia Antiga, e esse livro conseguiu unir bem ambas as paixões, sendo muito informativo não só sobre o filósofo em questão, mas também sobre a cidade de Atenas, costumes, histórias (explica a relação de Sócrates e Homero, contando, ainda, alguns episódios da Odisséia e da Ilíada que se encaixam no contexto). Finalmente chamaram meu nome, peguei minha ficha de volta, uma fichinha com o número 115 e segui uma menina até a próxima sala (quando eu não sei para onde ir, costumo seguir as pessoas).

A segunda sala era bem menor, inclusive, faltavam cadeiras para todos, não para mim, ainda bem, e então novamente sentei e esperei. Quando cheguei estavam no número 60 e, para ser sincera, nem senti tanto a espera quanto meus amigos já haviam reclamado. Foi mais rápido que a primeira sala, acredito. Meu nome foi chamado, entreguei minha ficha e meus documentos, o rapaz que me atendeu olhou, guardou-os, escreveu algo no envelope, entregou-me e mandou que me dirigisse para a próxima sala. Mais uma vez segui uma menina até lá.

A última sala foi a de menor espera. Meu número era 94 e já estavam lá nos 75 quando cheguei. Sentei, li mais um pouco e fui chamada. Nessa terceira sala, eu recebi meus horários e confirmei meus dados (a parte de confirmação do email foi a mais constrangedora, pois eles possuíam meu email de criança. O atendente da mesa ao lado da minha riu quando a mulher o leu em voz alta. Passado o constrangimento, saí da sala e me dirigi até a saída. Dessa vez não havia ninguém para seguir, então fui na doida.
(Só vou pagar 5 disciplinas esse semestre por motivos de: não conheço o campus direito e não tenho ninguém para me ajudar)
(Meu horário lindo sem aula na segunda)
Do lado de fora do prédio, liguei para o meu namorado, para que ele me ajudasse a encontrar a biblioteca. Sou péssima em direções e em encontrar lugares, então só consegui andar 2 blocos de acordo com suas instruções, depois ele me mandou um mapa, mas eu não entendi. Decidi seguir meus instintos e fiz o que sempre faço quando estou perdida, tentando encontrar algum lugar: segui em frente. Com isso, acabei chegando no Centro de Convivência, mas ainda estava meio longe do meu destino. Olhei o mapa de novo, mas ainda não fazia sentido nenhum para mim. Vi um rapaz saindo do prédio, dirigindo-se para outro bloco e me pareceu que ele sabia bem para onde ia. Decidi seguí-lo.

Pouco depois, encontrei uma placa que sinalizava em direção a biblioteca. Também não sou boa em seguir placas, felizmente a biblioteca é gigante e bem visível, então não foi difícil encontrá-la. Uma vez dentro do prédio, meu próximo "plot" consistia em encontrar uma tomada. Vejam bem, minha bateria é viciada, se ela caísse, não teria como falar com meu pai quando ele acabasse sua aula para combinar onde nos encontraríamos. Então lá estava eu procurando uma tomada e pedindo informações para meus veteranos pelo What's App.

Só encontrei tomadas na sala de estudos individuais. Se seu local de estudo tem uma, você sabe que deve ficar bem quietinho lá dentro e, supostamente, não deve usar o celular. Bom, felizmente, eu tinha meu livro, então pude ler um pouco e assim não pensariam que eu era uma parasita que só estava lá ocupando espaço para utilizar a tomada. O que eu não esperava era que meu pai começaria a me ligar loucamente e ignoraria minhas mensagens desesperadas avisando que estava na sala de estudos e não podia atender. Saí com pressa e atendi. Ele estava na porta.

Peguei minha bolsa de volta na entrada da biblioteca e entrei no carro, já parado na porta do prédio. Finalmente minha aventura estava chegando ao fim, só faltava comprovar o meu vínculo com a universidade na coordenação do meu curso. Isso só levou dois segundos: falei meu nome e a mulher clicou em um botão e pronto. Ela também me informou que minhas aulas só começarão semana que vem e quanto a isso não sei se comemoro ou se fico triste.

Por enquanto é só isso, mas com certeza terei mais aventuras para compartilhar após o meu primeiro dia de aula. Até lá, boa aula pra você.

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